Este blogger contém o registro dos processos de trabalho em ateliê para a execução e montagem do Projeto Ressonâncias.
A edição brasileira do projeto é resultado da oficina ministrada pela artista e Professora da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Dra. Virgínia Fróis, por ocasião da Exposição e Seminário "Três Poéticas Dissonantes" - Escultura Contemporânea Portuguesa, a ser realizado no Instituto de Artes da Unesp - SP/ Brasil em setembro de 2012. Com a curadoria e organização da Professora Dra. Lalada Dalglish, o evento contará também com uma extensa programação de palestras, mesas-redondas e workshops.

This blogger contains the record of the processes at work in the studio for the implementation and installation of the Project Resonances. The Brazilian edition of the project is a result of the workshop taught by artist and Professor at the Faculty of Fine Arts, University of Lisbon, Dr. Virginia Frois, at the Exhibition and Seminar "Three Poetic Dissonant" - Contemporary Sculpture Portuguese, to be held at the Institute Arts Unesp - SP / Brazil in September 2012. With the organization and curation of Dr. Lalada Dalglish, the event will also feature an extensive program of talks, roundtables and workshops


quinta-feira, 4 de julho de 2013

RUMO A SÃO JOÃO DEL REI - MG

Agora, no mês de julho, o Projeto Ressonâncias, de Virgínia Fróis, tem continuidade através de workshop ministrado pela equipe dos alunos de pós-graduação do Instituto de Artes da Unesp, em parceria com a Universidade Federal de São João Del Rei. Acompanhem  a programação e o resultado pelo blogger:


domingo, 30 de junho de 2013

Projeto Ressonâncias: Conceitos e Processos

Artigo originalmente apresentado em CONTAF 2013

Autores
Camila da Costa Lima
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp

Alexandre Gomes Vilas Boas
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - Unesp

Patrícia Yuki Omoto
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - Unesp

Valéria Elisabete Rodrigues
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp

Elaine Santos
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp

Stela Mara Herzog Khede
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp


RESUMO

A proposta deste trabalho é apresentar o Projeto Ressonâncias II, suas intenções, experiências dos participantes envolvidos e o processo de produção de obras que resultaram em uma exposição itinerante.
Criado e coordenado pela escultora e professora da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Virgínia Fróis, este projeto ocorreu no atelier de cerâmica do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Unesp, entre os meses de Agosto e Setembro de 2012, como uma continuação da ideia inicial apresentada em Portugal no mesmo ano.
A matéria prima básica para o desenvolvimento da proposta foi o barro. Mas também, foram combinados ou fizeram parte do processo de produção outros materiais, resultando na criação de obras ímpares, carregadas de significados.
Ao apresentar este trabalho e compartilhar experiências se pretende destacar as possibilidades do fazer cerâmica, além de propor que o projeto iniciado  em Portugal continue ativo, em diferentes ateliers, comunidades e escolas.

INTRODUÇÃO

No ano de 2012, complementando as comemorações do ano de Portugal no Brasil, o Programa de Pós Graduação da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp sob curadoria da Profa.Dra.Lalada Dalglish, convida a professora Virginia Fróis, da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa para compor a exposição Três Poéticas Dissonantes, juntamente com Ricardo Casimiro e Noemia Cruz.
Diferente dos dois artistas Virginia Fróis optou por produzir suas obras aqui no Brasil, na própria Universidade, por meio de um workshop com a participação dos alunos da graduação, pós graduação e da comunidade. Durante um mês, um grupo com 12 integrantes trabalhou seguindo os conceitos e as orientações da experiente artista.

RESSONÂNCIA I: de Portugal para o Brasil

O trabalho Ressonância I foi apresentando em um projeto que envolvia também outros artistas, no Convento dos Capuchos, em Portugal, durante os meses de Julho e Agosto de 2012.
Até ser colocado em prática, este projeto foi planejado por cerca de dois anos através de uma sequência de processos que envolviam o uso de diversos materiais. Virginia Fróis deu início às suas pesquisas a partir de uma obra que fez em 2008 nos dez anos da morte de Jorge Vieira, quando foi convidada junto com outros artistas para uma exposição coletiva na Casa de Artes Jorge Vieira, com quem iniciou seus trabalhos na Faculdade de Belas Artes de Lisboa, sendo sua assistente. As primeiras ideias remontavam a cabeças que se entrecruzavam, e assim realizou uma obra suspensa, um par de cabeças-urnas (fig. 01). A partir daí começou a desenvolver o conceito de Ressonância. 



Fig. 01: Virginia Fróis, Cabeças Suspensas, 2008

O projeto teve início com a realização de um molde de gesso de sua própria cabeça e, a partir deste, fez cabeças em positivo e negativo, em cera virgem de abelha e argila. Com estas cabeças prontas passou para mais uma etapa, envolvendo estas cópias de sua cabeça por uma camada de argila, formando uma espécie de cápsula, que já quase seca foi cortada, queimada e montada novamente sendo selada com uso novamente da cera.
Tratou-se de um trabalho em que um processo leva a outro, desperta outro, pede pela experimentação, a fusão de materiais e técnicas – uma ressonância. O significado envolvido na palavra ressonância leva ao entendimento de parte dos conceitos presentes na produção das obras, conforme cita a própria artista em texto de apresentação de seu projeto em Agosto de 2012: “Entendo Ressonância como a relação com um outro. Uma coisa nossa que ressoa no outro (identificação) e que retorna clara ou por vezes mais complexa.” Este sentido de ressonância se faz presente no momento de realização da obra e continua depois da finalização, durante a exposição.
Para a instalação Ressonância I, Virginia Fróis produziu nove cápsulas, a partir de um molde de sua cabeça, estas peças foram expostas penduradas por fios, aproximadamente na altura dos olhos do observador, dispostas lado a lado, formando um círculo, de modo que os visitantes podiam entrar neste círculo, se posicionarem frente a elas, habitá-las, senti-las, se comunicarem.


Fig. 02: Virginia Fróis, Ressonâncias I, Convento dos Capuchos, Portugal, 2012

RESSONÂNCIAS II

Este projeto teve seu início com um workshop que durou um mês  e resultou com a produção de obras para a instalação Ressonâncias II que compôs a exposição Três Poéticas Dissonantes. Os conceitos e processos presentes neste processo   de trabalho se basearam nos  que vinham sendo desenvolvidos por Virginia Fróis nos últimos anos e, principalmente nos utilizados em Ressonâncias I.
A artista em suas produções mais recentes também questiona as emoções, os saberes, a posição do outro, suas obras não são pensadas para serem observadas à distância, conforme cita Sara Antónia Matos no texto Religare (2012): “É para o trabalho conjunto sobre a memória, o luto e as experiências sensíveis, próprias da existência humana, que remete o trabalho da artista, ao lembrar que cada indivíduo não tem existência isolada”.
Deste modo o workshop, ocorrido nas dependências da Unesp, foi também uma vivência, um fazer coletivo, motivado pela experiente artista. Se foi  construindo em cada etapa de trabalho uma relação de união dos participantes, guiados pelo entusiasmo do fazer artístico que não era mais individual, mas sim um processo que resultaria em uma instalação com obras de um grupo diante de um conceito. O objetivo da artista foi promover a partilha, utilizando-se da cabeça como um objeto de estudo e como forma para criar metáforas relacionadas com questões anteriores, em um aprendizado com o corpo e que vem do corpo e no momento do modelar devolver para esta cabeça reflexões e pensamentos.
O trabalho envolveu as relações entre distintos materiais como gesso, cera de abelha, argila, engobes, fogo, mas também questões pessoais, sentimentos construídos ao longo de nossas vidas e que de certa forma, também foram direcionados para o fazer artístico, como afirma a própria artista em texto de apresentação do projeto junto a Unesp: “É muitas vezes essa a matéria da arte. Nódulos, vazios, espaços inacessíveis, que podem ser usados como espaços potenciais para o desenvolvimento da criação artística, aos quais acedemos de forma muitas vezes intuitiva dentro dos processos de trabalho.”
No momento de concepção de uma obra, Virginia Fróis emprega em cada detalhe uma simbologia que colabora no enriquecimento do contexto final. Para a instalação Ressonâncias II, a artista completou a montagem da instalação com alguns elementos como o sal que possui diversos significados, além dos relacionados com questões pessoais da artista (tinha um avô salineiro), para ela é um símbolo muito rico, da aliança, ligados aos sentidos, a potência, também um símbolo de pureza, Cristo foi designado como o sal da terra, e também como matéria branca cristalizada que irradia luz e também está ligado a água, onde se dissolve.  É ainda um símbolo de pureza e também de perpetuidade. Também foram usados sinos, que servem como um alerta para o que de mais terrível nos atravessa em forma de pulsões ou desejos brutos, e o chumbo preso abaixo das cápsulas de cerâmica representando a individualidade incorruptível e também como os alquimistas buscavam desprender-se das concepções individuais para chegar a valores coletivos e universais. O sal ganha aqui também uma metáfora em relação ao oceano que separa e une os países.

O PROCESSO DE TRABALHO: Ideias, Materiais e Técnicas

No primeiro contato Virgínia apresentou seus trabalhos anteriores através de imagens e explanação verbal, uma conversa com o grupo, após isto, foi iniciado o processo de trabalho. O primeiro passo foi a produção dos moldes das cabeças com atadura gessada, sempre a partir de orientações e com a supervisão da artista.
A próxima etapa foi o preparo de gesso para reforçar os moldes. Esta etapa foi imprescindível, principalmente, porque o mesmo molde iria receber a fundição em cera e também ser moldado em argila. Após a secagem dos moldes, já reforçados, se iniciou a fundição em cera e posteriormente, também foi usado para a moldagem em argila.
Durante o processo de trabalho foram utilizados vários tipos de argila incluindo a terracota vermelha, para ser moldada sobre o molde de gesso e se obter uma segunda cabeça, de argila. Após um período para secagem o molde foi aberto e se iniciou os acabamentos da peça em argila agregando talco mineral, mica, óxidos, engobes.
A próxima etapa foi a confecção da cápsula - urna, feita a partir da cabeça de cera confeccionada inicialmente. Como um molde negativo, se colocou sobre a peça de cera a massa composta por argila em pó, vermiculita e materiais vegetais como palhas, óxidos, cinzas, chamote, mica. Cada ser humano é diferente do outro, cada cápsula também é diferente da outra. Cada participante selecionou seus materiais e confeccionou a sua cápsula. Estas cápsulas, por sua vez, guardam em si exatamente o espaço da cabeça.
Em ponto de couro, as cápsulas foram cortadas em partes, para serem retiradas da cabeça de cera e após estarem secas passaram pelo processo de queima em forno elétrico e Raku. Após a queima das partes, as cápsulas foram novamente montadas[D11] , sendo suas junções seladas em cera e seu acabamento feito com cera e óleo de linhaça.
Para completar a exposição foi montada uma mesa com as cabeças em cera e em terracota, algumas queimadas e outras não, dispostas sobre uma camada de sal grosso. Ainda, em outro ponto, foram dispostas, também suspensas, outras 7 cápsulas.


  Fig. 03: Ressonâncias II, vista do círculo de urnas com o sal ao centro e da mesa com   cabeças em argila e cera ao fundo, Galeria  de Artes da Unesp, São Paulo, 2012


CONCLUSÃO

A experiência adquirida durante o workshop, bem como a convivência com Virgínia Fróis, permitiram que este projeto continuasse seu desenvolvimento em outras regiões e envolvendo novos participantes.
Independente da presença da escultora, mas com a preocupação de manter seus conceitos e técnicas, o projeto Ressonâncias segue para sua terceira edição, sendo desenvolvido junto a Universidade de São João del Rei, Minas Gerais, sob orientação dos integrantes do projeto Ressonâncias II que fazem parte do do Grupo de Estudos Panorama da Cerâmica e conta com a participação de estudantes e membros da comunidade local e tem sua exposição programada para acontecer de 07 de novembro de 2013 à 08 de dezembro de 2013, no Centro Cultural da UFSJ – também conhecido como Solar da Baronesa,  Praça Dep. Augusto das Chagas Viegas, 17, Largo do Carmo, São João Del Rei - MG

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MATOS, Sara Antónia. Religare. In Catálogo Três Poéticas Dissonantes. Escultura Portuguesa Contemporânea. Galeria Instituto de Artes - UNESP/SP, 2012.

PÁGINAS DE INTERNET







segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

VOZES DA RESSONÂNCIA

Vozes, depoimentos, fragmentos com o registro dos processos de trabalho em ateliê para a execução e montagem do Projeto Ressonâncias. 



terça-feira, 11 de setembro de 2012

MONTAGEM DA INSTALAÇÃO

 Bete apoia uma das cabeças enquanto Virgínia regula as alturas

 Virgínia regulando a altura e fazendo ajustes nos adereços das cabeças
 
 Cabeças fixadas pairando de forma delicada na escuridão

 
 


 
 Virgínia e Alexandre em ajuste das alturas e das luzes